Como a insônia consome a vida.
Pontes de ilusões são criadas e desfeitas
Em intervalos de tempos que não ouso calcular
Se muito: alguns segundos.
Se pouco: algumas eras.
É tudo muito abstrato
Imaterial
É tudo fruto da Psique, do imaginário,
Fruto da indústria farmacêutica.
Um segundo a mais um a menos...
A dilatação vem,
O brilho no olhar vem...
As cores se multiplicam
Se deformam
Os odores se potencializam
Se combinam...
Cheguei! Estou aqui...
É nessa terra sem precedentes nem sucessores
Que impera a criativa verdade de meus dias.
E que dias estes meus de verdades tão duras.
É neste limbo onde reinam as vertigens
Que morre toda a noção do real
Essa é a terra da psicodelia que alimenta a razão
É a terra em que morrem os desejos lúcidos e nascem os
delirantes
Neste lugar me sinto em consonância com o próprio universo
Sendo eu o todo de tudo ou a parcela do nada
É aqui que me escondo em tempos de vida morna
De vida gélida
Ou em qualquer tempo de vida que careça de fuga
É aqui que sou quem sou ou quem nunca fui
Aqui eu simplesmente fluo o que sou
Aqui simplesmente sou.
Não percebemos nenhum tempo por aqui,
Há apenas esse contínuo, sem passado nem futuro
Aqui as contradições são racionais
E a razão é uma velha sábia que bebe de vez enquanto
E toda forma de ver é vista como uma forma de ver igual
Nestas florestas de fragmentos que sou
Aqui me acho inteiro
Aqui não preciso ser grande nem pequeno
Não preciso ter dinheiro ou ser educado
Não há nada aqui que me oprima
E os padrões aqui nada valem
Aqui mora a sensatez da loucura
Aqui impera a virtude do egoísmo
Se tanto me perco em devaneios
Aqui bem mais me encontro
Enquanto a noite cai e rezam por aí
Eu aqui fico, aqui fujo, aqui habito.
Aqui sou o que todos somos
Bem vindo ao poderoso Soma!



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